No topo da falésia
Cheguei
Respiro fundo
É o topo da falésia
Cansei-me de tombar nos limos verdes
Congresso
Não acredito. Estou atrasado. Já só falta meia hora para o Congresso dos Corcundas Incontinentes.
Logo eu. Que fiz tudo para que surgisse o lobby dos corcundas incontinentes, o principal responsável pela referência no último volume da Enciclopédia Larousse. O criador da famosa fralda multi-funções, só para nós. Alguém imaginava, há cinco anos, que podia ter […]
ESPAÇO POÉTICO
TELHADO DA VIDA
A chuva bate com força
No telhado da vida
Fragilizado pelos anos
O vento sopra forte
As telhas quase não aguentam
Um raio de sol espreita
Como que envergonhado
O frio entra pela alma
Fica tudo gelado
ESPAÇO POÉTICO
NATAL NO AMOR
Nem uma porta se abriu
quando José e Maria
procuravam um abrigo
na cidade de Belém,
já meia-noite seria.
Ela de esperanças divinas.
ambos famintos, cansados
de tão longa caminhada,
pernoitaram numa gruta
onde o Menino nasceu
ia alta a madrugada…
ESPAÇO POÉTICO
LÁGRIMA
Aquela lágrima, o peso constante, um vento que se impõe e se consagra, um segundo de tensão.
O Tempo pára e o peso aperta aquela lágrima que caiu e se mantém presente no canto do olho, um vento frio sobre a pele, imposto por horas.
Em suspenso na realidade, uma gota de sentido, junto do olho que […]
ESPAÇO POÉTICO
Pátria Branca
Craveiro da varanda portuguesa,
Floriste em sangue uma manhã de Abril.
(E havia pão na mesa.
E lutava, além-mar, uma Pátria viril.)
Logo o vento suão
Te secou as raízes.
(E na mesa restou uma côdea de pão.
E a Pátria d´além-mar derrotou-se em países.)
Da varanda, o futuro escureceu.
(Nenhuma esperança de luar
Nos quer restituir o céu
Aberto da abundância e o destino […]
ESPAÇO POÉTICO
MARINHEIRO
Nas mãos em concha a génese dos ventos
Enleados nos braços paralelos
aromas liquefeitos de ressaca
ESPAÇO POÉTICO
A UM MENINO JESUS
Era eu inda criança,
via um Menino Jesus
que estava sobre uma mesa.
Por ser pequena mal o via;
mas espreitava-O,
e fui-me habituando
à sua companhia.
ESPAÇO POÉTICO
E HEI-DE SER EU
E hei-de ser eu com minhas mãos em flor
a modelar estrelas nos teus dedos?
Hei-de ser eu a burilar segredos
com meus pulsos suados de escultor?
E hei-de ser eu a atar ao Bojador
quilhas de barro a transbordar de medos?
E hei-de ser eu a desfazer enredos
com meus gestos de paz com meu amor?
Nas margens rituais […]
ESPAÇO POÉTICO
Fogo gelado
Todo o amor sincero é confiante,
Na felicidade que constrói a dois,
Torna a vida mais intensa e radiante,
Vive só dela, o resto vem depois.
O puro e verdadeiro sentimento,
Continua são pela vida fora,
O que não é de robusto alimento,
Não resiste e logo morre na hora.
ESPAÇO POÉTICO
Quando dizes que me amas
Quando dizes que me amas,
És a gota de água fresca e cristalina,
que alivia a sede do meu coração
e o naco suculento,
que vem mitigar a minha fome de ti.
Quando dizes que me amas,
És a lenha de pinho,
que alimenta a minha fogueira,
e o sopro de vento,
que vem espevitar o meu braseiro.
Quando dizes que […]
ESPAÇO POÉTICO
Mulher
Mulher… és a raiz e a folhagem,
que dá seiva e sombra acolhedora.
És o presente, o futuro e és a imagem,
a que é mãe, esposa e protectora.
És a força, a vida e a ternura.
Sofres quando do teu seio brota a vida,
que é fruto do amor, quase loucura.
Tu és tu. És a chegada e a partida.
Mercedes Nunes […]
ESPAÇO POÉTICO
Na Mira Naquela guerraA vida partiuO corpo fugiuO sangue escorreu pela terra Notas infinitasDe esperança perdidaJunto… tiros de dorEscrevendo cartas de amor Tinta esquecidaNum vento amargoQue deixa partirA saudade de esperar Toques suavesEm armas docesDe miragens inocentesDe gentes carentes O som…ImperceptívelA voz de ordemO choro cansado Lutar… MorrerMatar ou Morrer Vencer… PerderNum só segundo Contam históriasDe outras glóriasMas aqui,Ninguém lembra Folhas caídasNuma batalhaQue […]

